Notícias Literárias Breves

  • 04:39:14 pm on outubro 11, 2010 | 0

    Musical “Ópera Profano” une poesia e ousadia no palco

    Com enredo polêmico, texto de Carlos Correia ganha montagem de Guál Dídimo e Haroldo França. Um total de 17 canções foram compostas para o projeto.

    Mais informações: http://www.operaprofano.com.br

    Imagine se a imagem de Nossa Senhora de Nazaré, a mesma usada em todas as romarias do tradicional Círio, fosse furtada por um travesti e acabasse indo parar dentro de um cinema dedicado à exibição de filmes adultos. Um cinema freqüentado por transexuais, garotos de programa e jovens da classe média. Pois esse é o inquietante mote do espetáculo “Ópera Profano”, que estreia no próximo dia 14, às 21h, no Teatro Universitário Cláudio Barradas. Com dramaturgia assinada por Carlos Correia Santos e direção de Guál Dídimo e Haroldo França, a montagem fica em cartaz até o dia 17. O texto de Correia ganhou, em 2005, o Prêmio Literário Cidade de Manaus, foi publicado em livro e agora chega aos palcos. Concebida sob o formato de musical, a peça reúne atores, cantores, bailarinos, coreógrafos, músicos e cenotécnicos de forma ainda pouco comum na cena teatral local. Um total de 17 canções, completamente autorais, foram compostas especialmente para o projeto.

    “Trata-se uma montagem corajosa, que tem sido concebida há cerca de dois anos. O que se verá em cena é um resultado intenso e bastante poético.”, adianta Carlos. Guál Dídimo ressalta que o trabalho aposta de forma ousada em um gênero desafiador, ainda pouco usual na região Norte. “Temos orgulho de dizer que esse é um espetáculo de teatro musical. Eu e Haroldo mergulhamos num processo de encenação que valoriza essa característica da obra original. Não é uma peça com canções pontuando diálogos, e sim um trabalho em que a música é também uma das protagonistas”.

    Haroldo França conta que o processo de construção do espetáculo exigiu vários esforços: “Criamos as melodias para as letras do texto original, propusemos alguns outros momentos musicais e ainda fizemos a seleção e a preparação do elenco, que precisava ter habilidades particulares. A concepção que idealizamos exigia atores-cantores”.

    ELENCO

    O time de artistas que dá vida aos provocativos personagens é, de fato, especial. A produção marca a estreia como atriz da cantora Cacau Novais. O cantor Léo Meneses interpreta o travesti Baby. Dário Jaime e Fábio Tavares vivem, respectivamente, os travestis Tota e Mira. O elenco conta também com Tiago de Pinho, Marlene Silva, Leonardo Bahia e Rafael Feitosa. A encenação tem ainda as participações dos bailarinos Angélica Monteiro, Franco Salluzio, Isabel Lobato e Nigel Anderson. As apresentações terão execuções musicais ao vivo conduzidas por Welliton Barreto (percussão), Guál Dídimo (teclado), Armando Mendonça (viola) e Ramón Rivera (violão). A concepção de luz é de Sônia Lopes. O visagismo é de Nelson Borges e as fotos de divulgação são de João Ramid.

    O tema polêmico proposto pela obra de Carlos Correia trouxe uma dificuldade que, no final das contas, não impediu o êxito da produção: “O espetáculo não conta com nenhum patrocinador. Temos grandes apoiadores, como Tina Sâmia (Pink Android), o fotógrafo João Ramid, a Raf Mix, que cedeu material de maquiagem, e o visagista Nelson Borges. Mas não conseguimos que nenhuma marca quisesse se associar a uma peça em que travestis se mostram tão devotos quanto quaisquer outros cidadãos e reivindicam o direito de se aproximar da imagem de Nossa Senhora”, afirma Correia. Guál, no entanto, mantém-se otimista: “Tomara que isso mude. Ainda esperamos sensibilizar alguma empresa. Esperamos contar com patrocínios para outras temporadas da peça. Nossa meta é que o espetáculo tenha vida longa porque as questões colocadas em cena precisam ser vistas, ouvidas e debatidas”.

    ENREDO

    Na trama criada por Carlos Correia Santos, o travesti Tota provoca um tumulto na capela de onde sai a procissão da trasladação. Em meio à confusão, ele furta a imagem da Santa e a leva para um tradicional cinema de filmes pornográficos que, ironicamente, fica bem em frente à Basílica Santuário. O ato tresloucado tem uma razão afetiva: Tota quer realizar o sonho de sua colega travesti Baby. Dentro do cinema, lutando contra as complicações decorrentes do HIV, Baby sonha em se aproximar de Nossa Senhora e rezar por um bom descanso. Em meio a este caos emocional também se encontram um ríspido garoto de programa chamado Lucas, o jovem Ângelo, que freqüenta o local sem que sua conservadora família suspeite, e o decadente travesti Mira que, na juventude teve um filho, do qual não possui mais qualquer notícia. Pontuando o drama, três misteriosas figuras, uma mulher e dois conselheiros, transitam por entre os personagens sem serem vistos e tentam entender por qual razão todas aquelas vidas são completamente ignoradas pela sociedade.

    Serviço: Ópera Profano – O Musical. Dias 14, 15, 16 e 17 de outubro, às 21h, no Teatro Cláudio Barradas (Jerônimo Pimentel com Dom Romualdo Seixas). Ingressos: R$ 20,00 com meia para estudantes. Apoio: Pink Android, João Ramid e Raf Mix. Mais informações em http://www.operaprofano.com.br

    FICHA TÉCNICA

    Da Obra de Carlos Correia Santos

    (Vencedora do Prêmio Literário Cidade de Manaus)

    ÓPERA PROFANO

    Adaptação Dramatúrgica e Música:

    Guál Dídimo e Haroldo França

    Arranjos:

    Armando Mendonça e Ramón Rivera

    Letras:

    Carlos Correia Santos, Guál Dídimo e Haroldo França

    Elenco:

    Tiago de Pinho (Ângelo)

    Léo Meneses (Baby)

    Fábio Tavares (Mira)

    Marlene Silva (Conselheira)

    Leonardo Bahia (Conselheiro)

    Rafael Feitosa (Lucas)

    Dário Jaime (Tota)

    A Misteriosa (Cacau Novais)

    Bailarinos convidados:

    Angélica Monteiro

    Franco Salluzio

    Isabel Lobato

    Nigel Anderson

    Coreografias:

    Franco Salluzio

    Guál Dídimo

    Nigel Anderson

    Músicos:

    Welliton Barreto (percussão)

    Guál Dídimo (teclado)

    Armando Mendonça (viola)

    Ramón Rivera (violão)

    Arranjos adicionais:

    Gabriel Paganine

    Thales Branche

    Concepção de luz:

    Sônia Lopes

    Operação de luz:

    Frank Costa

    Visagismo:

    Nelson Borges

    Vídeo e Som:

    Haroldo França

    Fotos:

    João Ramid

    Designer gráfica:

    Tina Sâmia (Pink Android)

    Assessoria de comunicação:

    Carlos Correia Santos

    Direção Adjunta: Haroldo França

    Direção geral: Guál Dídimo

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